"Por que não foi lançado no início do segundo governo Lula ou quando a crise mundial começou a bater na nossa porta?", questionou o parlamentar.O deputado federal Ilderlei Cordeiro (PPS-AC) disse que vê motivação eleitoreira no pacote habitacional anunciado, nesta quarta-feira, pelo governo Lula. Apesar de ver pontos positivos, porque, em sua avaliação, o programa poderá atender às necessidades da população, principalmente a de baixa renda, o parlamentar estranha que o "Minha Casa, Minha Vida" tenha sido lançado a apenas 1 ano e sete meses das eleições presidenciais. "Por que não foi lançado no início do segundo governo Lula ou quando a crise mundial começou a bater na nossa porta?", questionou o parlamentar. O programa foi anunciado pelo presidente da República, mas coube à ministra da Casa Civil e pré-candidata do governo petista para concorrer às eleições presidenciais, Dilma Rousseff, explicar as principais medidas do pacote habitacional, cujo objetivo é construir um milhão de moradias para famílias com renda até dez salários minimos (R$4.650).
Os recursos são do FGTS (R$ 7,5 bilhões), do BNDES ( R$ 1 bilhão) e da União ( R$ 25,5 bilhões), mas o governo não detalhou se o dinheiro virá da arrecadação de imposto de renda, do orçamento ou do Fundo Soberano.
Ilderlei Cordeiro disse que Lula cria expectativa positiva no mercado, já o setor da construção civil vai movimentar R$ 34 bilhões, mas, no entanto, ele ressalva que o projeto habitacional é "audacioso" para ser implantado em pouco tempo devido não só à grande demanda a ser atendida, mas também à falta de interação do poder central com os estados e municípios, responsáveis pelo funcionamento do Minha Casa, Minha Vida. "Só no Acre, faltam 20 mil residências", exemplificou o parlamentar.
Segundo o governo, a divisão de casas foi feita de acordo com déficit de cada região: O Sudeste ficará com 363.984 moradias (36,4% do total). A segunda região mais beneficiada é a Nordeste (343.197, ou 34,3% do total), seguida pelo Sul (120.016), Norte (103.018) e Centro-Oeste (69.786).
Tiro no pé
O pepessista apontou ainda mais um entrave, que é um problema crônico da administração petista: falta de planejamento. "Se der certo, todos sairão ganhando, mas se não der errado, Lula estará dando um tiro no pé da sua candidata (Dilma Rousseff)", argumentou Ilderlei Cordeiro.